quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dante Alighieri

Mundialmente conhecido por sua obra máxima A Divina Comédia, Dante Alighieri é autor de diversas outras obras, dentre as quais se destaca Monarquia. Esta foi a principal que lhe valeu o exílio, no qual haveria de falecer, embora acalentasse sempre a esperança de poder voltar à sua cidade natal, Florença.

Em Monarquia, Dante deixa transparecer seus profundos conhecimentos de filosofia e o domínio com que cita passagens bíblicas. Escrito durante os anos de grande questionamentos e controvérsias envolvendo a autoridade papal em confronto com a autoridade do imperador, Dante elaborou este opúsculo em que defende a independência total do imperador no exercício de seu poder de qualquer ingerência do papa.
O Papa Bonifácio VIII havia publicado a Bula Unam Sanctam, além de criar grandes polêmicas e revoltar muitos reis e príncipes, provocou a ira de Filipe o Belo, rei da França, que enviou delegados a Roma para prender o Papa e levá-lo a Paris, a fim de ser julgado.
Esse documento do Papa declarava precisamente que o poder temporal estava sujeito por determinação divina ao poder espiritual. Em outros termos, o Papa tinha soberania e poder sobre todos os reis e príncipes cristãos, porquanto a autoridade temporal dependia diretamente da autoridade espiritual, da qual o Papa era o representante máximo.
Essa doutrina de Bonifácio VIII desagradou não somente ao mundo politico, mas também a grandes segmentos da sociedade européia da época que era quase totalmente cristã. Parece que Dante tomou as dores e a desilusão de todos aqueles que eram contra essa doutrina e escreveu Monarquia para provar que qualquer governante não depende, de modo algum, da autoridade da Igreja ou do Papa. Todo o livro gira em torno da argumentação para provar a independência do poder civil do poder religioso, recorrendo à fundamentação não somente filosófica e política, mas também bíblica.

Mais Sobre a vida e obra de Dante nas próximas postagens!!!

Um comentário:

  1. COMÉDIA - Inferno, Canto I


    "Da nossa vida, em meio da jornada,
    Achei-me numa selva tenebrosa,
    Tendo perdido a verdadeira estrada.

    Dizer qual era é cousa tão penosa,
    Desta brava espessura a asperidade,
    Que a memória a relembra inda cuidosa.

    Na morte há pouco mais de acerbidade;
    Mas para o bem narrar lá deparado
    De outras cousas que vi, direi verdade.

    Contar não posso como tinha entrado;
    Tanto o sono os sentidos me tomara,
    Quando hei o bom caminho abandonado.

    Depois que a uma colina me cercara,
    Onde ia o vale escuro terminando,
    Que pavor tão profundo me causara.
    [...]"

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